Teatro escavado na rocha, a acústica do Ouvido de Dionísio, Ortigia e a vegetação às margens do rio revelam diferentes períodos da história siciliana em um mesmo roteiro
Em Siracusa, diferentes períodos da história aparecem a poucos quilômetros de distância. A cidade fundada por gregos de Corinto no século VIII a.C. reúne vestígios monumentais da Antiguidade, construções medievais e barrocas e uma paisagem fluvial onde o papiro ainda cresce espontaneamente.
Para Antonela Giancoli, fundadora da Benarrivati, é justamente essa sobreposição que torna a cidade interessante dentro de um percurso pela Sicília. Em vez de concentrar a visita em um único monumento, o roteiro pode aproximar arqueologia, arquitetura e natureza.
Um teatro grego que continua em cena
Na área arqueológica da Neápolis está o Teatro Grego de Siracusa, escavado na rocha do colle Temenite. Sua configuração atual remonta principalmente ao século III a.C., embora já existisse um teatro naquele local desde pelo menos o século V a.C.
O espaço continua recebendo apresentações de teatro clássico, mantendo uma relação entre patrimônio arqueológico e artes cênicas que atravessou diferentes épocas.
Nas proximidades ficam também antigas pedreiras, as latomie, onde se encontra o chamado Ouvido de Dionísio.
Uma caverna cercada por história e lenda
Escavado no calcário, o Ouvido de Dionísio chama atenção pela altura, pela forma e pela capacidade de amplificar sons.
Seu nome foi associado a Caravaggio no início do século XVII. Segundo a tradição, o tirano Dionísio teria utilizado a acústica do local para ouvir conversas de prisioneiros mantidos na caverna. A história pertence ao campo da lenda, mas ajuda a mostrar como arqueologia e imaginário se misturaram ao longo dos séculos.
“Siracusa é interessante porque você muda completamente de período histórico em poucos deslocamentos. Sai de um teatro grego escavado na pedra, atravessa Ortigia e depois encontra um ambiente natural como o Ciane. Para nós, o roteiro ganha força quando essas camadas são conectadas, e não apresentadas como visitas isoladas”, afirma Antonela Giancoli.
Às margens do Ciane, cresce o papiro
Nos arredores da cidade, a Reserva Natural do Fiume Ciane e Saline di Siracusa protege um ambiente bastante diferente daquele encontrado entre as ruínas.
O papiro cresce espontaneamente ao longo do curso do Ciane, uma ocorrência considerada rara em território europeu. A reserva foi criada justamente para proteger essa vegetação e o ecossistema associado ao rio e às antigas salinas.
Para a Benarrivati, esse contraste permite acrescentar ao roteiro uma dimensão natural sem afastar o viajante do contexto histórico de Siracusa.
Ortigia reúne séculos na mesma paisagem
Na ilha de Ortigia, núcleo histórico da cidade, diferentes períodos permanecem sobrepostos.
A Catedral de Siracusa é um dos exemplos mais claros: foi construída incorporando estruturas do antigo Templo de Atena e recebeu uma nova fachada barroca depois dos terremotos que atingiram a região no fim do século XVII.
Essa convivência entre tempos diferentes orienta o olhar de Antonela Giancoli sobre a cidade. Na curadoria da Benarrivati, Siracusa não aparece apenas como uma parada arqueológica, mas como um lugar em que Grécia Antiga, história cristã, barroco siciliano e paisagem mediterrânea continuam visíveis no mesmo percurso.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
