Desmatamento no Amazonas cai 57% em 2026, mas verão amazônico pode testar essa conquista

Por Diego Rodríguez Velázquez 7 Min de leitura

Dados do Ipaam mostram redução histórica entre janeiro e maio, enquanto especialistas alertam para o risco de queimadas com a chegada da estiagem.

Manaus e o interior do Amazonas registraram, nos cinco primeiros meses de 2026, um dos resultados mais positivos dos últimos anos na relação do estado com a floresta. O desmatamento recuou 57% em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com levantamento do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A notícia anima quem acompanha de perto a preservação ambiental no estado, mas deixa uma pergunta no ar entre moradores, produtores rurais e ambientalistas. Será que essa melhora vai resistir à chegada do verão amazônico, período em que o calor sobe, as chuvas diminuem e, historicamente, os focos de queimada se multiplicam? Entender o que mudou neste início de ano e o que ainda preocupa as autoridades ajuda a responder essa dúvida.

O que mostram os números do Ipaam

O Amazonas registrou uma redução de 57% no desmatamento entre janeiro e maio de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, com base em monitoramentos realizados por satélite em parceria entre o Ipaam e o Inpe. Mais de 14 mil hectares de floresta foram desmatados nos cinco primeiros meses de 2025, enquanto em 2026 a área devastada caiu para pouco mais de 6 mil hectares. Na prática, isso significa que o estado conseguiu manter de pé uma faixa de mata equivalente a milhares de campos de futebol em apenas cinco meses. É um resultado que chama atenção justamente por contrariar a tendência histórica de avanço da devastação no início do ano. A CríticaA Crítica

A diferença representa a preservação de mais de 8 mil hectares de floresta amazônica, área equivalente a aproximadamente 11,5 mil campos de futebol. Além da área preservada, os alertas de desmatamento emitidos pelos sistemas de monitoramento remoto também caíram, passando de 772 registros entre janeiro e maio de 2025 para 423 no mesmo período de 2026, uma queda de 45%. De acordo com os órgãos ambientais, a intensificação das ações de fiscalização tem sido um dos principais fatores para essa redução. Os dados sugerem que o reforço no monitoramento por satélite, somado à presença mais constante de equipes em campo, começou a surtir efeito prático sobre o comportamento de quem desmata. A Crítica + 2

Por que alguns municípios ainda concentram os alertas

Apesar do avanço estadual, a redução não é uniforme em todo o território amazonense. Apuí lidera o ranking de alertas ambientais, com 43 registros e mais de mil hectares afetados. Na sequência aparecem Lábrea, com 33 alertas e 1.401 hectares desmatados, e Novo Aripuanã, que registrou 813 hectares devastados no período analisado. Esses três municípios do sul do estado seguem como pontos de maior pressão sobre a floresta, em uma região historicamente marcada pelo avanço da pecuária e pela abertura de novas áreas para uso agropecuário. A CríticaA Crítica

Historicamente, o período de estiagem costuma apresentar maior pressão sobre a floresta, devido ao avanço de atividades como abertura de áreas para uso agropecuário, ocupações irregulares e criação de novos ramais. Isso explica por que, mesmo com a queda geral nos números, as autoridades ambientais continuam tratando esses municípios como prioridade de fiscalização. A lógica é simples: enquanto o resultado estadual melhora, a pressão localizada em pontos específicos do mapa amazonense pode anular parte do ganho conquistado se não houver atenção redobrada justamente nessas áreas mais sensíveis. A Crítica

O desafio do verão amazônico: a queda vai se manter?

Especialistas e órgãos ambientais alertam que a chegada do verão amazônico representa um período crítico para a preservação da floresta, já que a redução das chuvas e o aumento das temperaturas elevam o risco de queimadas e de novas áreas de desmatamento, exigindo reforço das ações de monitoramento e fiscalização. É justamente nesse cenário que a resposta dada nos primeiros meses do ano será testada de verdade, já que a estiagem costuma concentrar boa parte dos focos de calor registrados ao longo do ano em Manaus e no restante do estado. A Crítica

A própria capital amazonense já vem se preparando para esse momento. A Prefeitura de Manaus lançou recentemente uma campanha de prevenção às queimadas com uso de drones equipados com sensores térmicos, reforçando o monitoramento da Guarda Ambiental em parceria com produtores rurais da região metropolitana. Mesmo diante do cenário desafiador, os números registrados nos primeiros meses de 2026 indicam avanço no combate à devastação ambiental e reforçam a importância das políticas de proteção da Amazônia. A combinação entre os dados positivos do primeiro semestre e o reforço das ações preventivas é o que deve definir se o Amazonas conseguirá manter a tendência de queda mesmo nos meses mais críticos do ano. A Crítica

A redução de 57% no desmatamento amazonense em 2026 é, sem dúvida, uma notícia que merece ser celebrada, mas ela não encerra o assunto. O verão amazônico que se aproxima vai colocar à prova justamente a capacidade do estado de manter o ritmo de fiscalização que sustentou esse resultado. Municípios como Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã continuam sendo o termômetro mais sensível dessa disputa entre preservação e pressão econômica sobre a floresta. Para quem vive em Manaus e no interior, acompanhar os próximos boletins do Ipaam e do Inpe será a forma mais direta de saber se a conquista do primeiro semestre vai se transformar em tendência ou ficará marcada apenas como um respiro passageiro antes do período mais difícil do ano.

Fontes: Portal A Crítica | Prefeitura de Manaus

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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