Pesquisa Projeta mostra quatro pré-candidatos concentrados em menos de dez pontos percentuais, com alta taxa de indecisão entre os eleitores amazonenses.
A corrida para o governo do Amazonas em 2026 começou a ganhar contornos mais claros, mas ainda está longe de estar definida. Uma pesquisa divulgada no início de junho mostra o senador Omar Aziz na liderança, porém com uma vantagem pequena sobre os demais concorrentes. Isso levanta uma dúvida natural entre os eleitores amazonenses, sobretudo os de Manaus, que concentra a maior parte do colégio eleitoral do estado. Diante de números tão próximos, a eleição já está praticamente decidida ou ainda existe margem real para reviravoltas até outubro? Olhar com atenção para os detalhes do levantamento e para o comportamento da rejeição de cada nome ajuda a entender o que realmente está em jogo nessa disputa.
O que a pesquisa Projeta revela sobre a disputa
A pesquisa Projeta, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-05101/2026, foi realizada entre os dias 30 de maio e 4 de junho de 2026 em 15 municípios amazonenses e ouviu 2.996 eleitores, distribuídos entre a capital e o interior do estado. No cenário estimulado, o senador Omar Aziz lidera com 25,1% das intenções de voto, seguido de perto pelo governador Roberto Cidade, que aparece com 22,4%. O prefeito de Manaus, David Almeida, registra 17,1%, enquanto Maria do Carmo soma 16,2%. A distância entre o primeiro e o quarto colocado é de menos de nove pontos percentuais, um intervalo pequeno para uma disputa que normalmente se decide com folgas maiores nessa fase da corrida. Portal TucumãEm Tempo
O levantamento mostra os quatro pré-candidatos concentrados em uma faixa inferior a dez pontos percentuais, indicando um cenário competitivo para a sucessão estadual. Além dos candidatos, 12,9% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo, e outros 6,3% disseram não saber ou preferiram não responder. Esse contingente de quase 20% de eleitores ainda sem posicionamento definido é, na prática, o que torna a disputa tão incerta. A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas presenciais, com 1.588 entrevistas realizadas na capital e 1.408 no interior do estado, o que dá um retrato mais completo da configuração atual da corrida pelo Governo do Amazonas. Em TempoPortal Tucumã
Por que a rejeição também pesa nesse cenário
Números de intenção de voto contam só parte da história. O levantamento também avaliou a rejeição dos nomes apresentados aos entrevistados, e nesse cenário David Almeida aparece com o maior índice, alcançando 29,7%. Em seguida estão Omar Aziz, com 20,4%, e Maria do Carmo, com 17,5%. Roberto Cidade registra o menor índice de rejeição entre os principais nomes da disputa. Em TempoPortal Tucumã
Esse dado ajuda a explicar por que a liderança numérica de Omar Aziz não significa, necessariamente, uma vitória tranquila em outubro. Em eleições com segundo turno, a rejeição de um candidato pode pesar tanto quanto sua intenção de voto no primeiro turno, já que parte dos eleitores de adversários derrotados tende a votar justamente para impedir a vitória do nome mais rejeitado. Pesquisas anteriores, realizadas em meses anteriores por outros institutos, já indicavam Omar Aziz na frente em praticamente todos os cenários simulados, mas com margens que variaram bastante dependendo de quais nomes eram testados juntos. Essa oscilação reforça que o resultado de junho é uma fotografia de um momento específico da campanha, não um veredito definitivo sobre quem vai governar o Amazonas a partir de 2027.
O que pode mudar até outubro
A eleição para governador do Amazonas será definida em 4 de outubro de 2026, com possibilidade de segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato atinja a maioria dos votos válidos. Até lá, ainda existe tempo suficiente para que os mais de 19% de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco se movam para algum dos quatro nomes principais, o que pode alterar significativamente o panorama atual. O atual governador, Wilson Lima, não pode concorrer à reeleição por já estar em seu segundo mandato consecutivo, o que torna 2026 uma eleição genuinamente aberta no comando do Executivo estadual.
A força de Omar Aziz vem em parte de sua experiência prévia no cargo, já que ele governou o Amazonas entre 2010 e 2014 antes de se eleger senador. Já Roberto Cidade, atual governador, parte da vantagem de já ocupar o cargo, enquanto David Almeida tenta transformar sua base eleitoral em Manaus em força suficiente para vencer no estado todo. Maria do Carmo, por sua vez, aparece como a aposta capaz de crescer entre os eleitores ainda indecisos. Os próximos meses de campanha, especialmente o período de debates e propaganda eleitoral gratuita, devem ser decisivos para definir quem consegue converter intenção de voto em apoio efetivo nas urnas.
A disputa pelo governo do Amazonas em 2026 ainda guarda muitas variáveis em aberto, mesmo com Omar Aziz aparecendo na frente das pesquisas mais recentes. A combinação entre margens estreitas, alta rejeição de alguns nomes e quase um quinto do eleitorado sem posição definida mostra que o resultado de outubro está longe de ser óbvio. Para o eleitor de Manaus e do interior do estado, acompanhar as próximas pesquisas e, principalmente, os debates entre os candidatos será essencial para entender como esse cenário pode se movimentar nos próximos meses, em uma eleição que vai definir os rumos do Amazonas pelos próximos quatro anos.
Fontes: Portal Em Tempo | Portal Tucumã
Autor: Diego Rodríguez Velázquez