Por que o corpo emagrece em partes diferentes? Nutricionista esportivo explica

Por Nina Karelina 6 Min de leitura

Lucas Peralles, nutricionista esportivo no Tatuapé, em São Paulo, explica que muita gente que começa um processo de emagrecimento nota algo curioso: algumas regiões do corpo mudam antes de outras, mesmo quando a pessoa mantém o mesmo plano alimentar e o mesmo treino desde o início. O rosto pode parecer mais fino, enquanto a barriga, as pernas ou os braços demoram mais para apresentar mudanças visíveis. A perda de gordura acontece em ritmos diferentes conforme a região e as características de cada pessoa, o que costuma gerar dúvidas em quem espera um resultado mais uniforme.

Essa é uma dúvida comum e costuma vir acompanhada de frustração quando uma área específica, geralmente a que mais incomoda esteticamente, parece resistente aos resultados, mesmo com dieta e treino em dia.

Por que a gordura não sai igual de todo o corpo?

O déficit calórico é a base de qualquer processo de perda de gordura, mas ele não define, sozinho, de onde essa gordura vai sair primeiro. O corpo tem uma lógica própria de mobilização de energia, ligada a fatores que fogem do controle direto de quem está no processo.

De forma geral, a gordura tende a sair na ordem inversa de como foi acumulada: a última região onde o corpo armazenou gordura costuma ser a primeira a perdê-la, enquanto áreas de acúmulo mais antigo, muitas vezes chamadas de “gordura teimosa”, resistem por mais tempo ao mesmo déficit calórico, mesmo quando o resto do corpo já mudou de forma visível.

Existe ainda uma explicação bioquímica para essa resistência: certas células de gordura têm mais receptores que favorecem o acúmulo do que a queima, o que torna essas regiões naturalmente mais lentas para responder, independentemente do esforço aplicado no restante da rotina.

O que determina a ordem em que cada região emagrece?

Genética tem papel central nesse processo. Estudos apontam que variantes em determinados genes influenciam não só a tendência a ganhar peso, mas também onde o corpo prefere armazenar gordura, o que explica por que duas pessoas, com dietas parecidas, emagrecem em ordens completamente diferentes.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Lucas Peralles aponta que os hormônios funcionam quase como reguladores dessa distribuição: cada região do corpo responde de forma distinta a eles, o que explica por que certas áreas mudam rápido no início do processo, enquanto outras praticamente não se alteram até bem mais tarde no mesmo período de acompanhamento. Essas variações hormonais fazem parte do quadro mais amplo da saúde metabólica de cada pessoa, que também influencia o ritmo geral do emagrecimento.

Existe diferença entre homens e mulheres nesse processo?

Sim, e essa diferença tem base hormonal clara. Homens tendem a acumular mais gordura na região abdominal e costumam perder gordura primeiro justamente ali. Mulheres, por outro lado, tendem a acumular mais nos quadris e coxas, áreas que também costumam ser as últimas a responder ao déficit calórico.

Além disso, fases específicas da vida, como adolescência, gestação e menopausa, envolvem mudanças hormonais que podem influenciar a distribuição da gordura pelo corpo. Com isso, a velocidade com que determinadas regiões respondem ao emagrecimento também pode variar, mesmo quando a alimentação e o treino permanecem consistentes.

Dá para “escolher” onde emagrecer primeiro?

Não, ao menos não por meio de exercícios localizados. Fazer abdominais em excesso não faz o corpo priorizar a queima de gordura ali; o corpo usa suas próprias reservas de energia, seguindo a lógica genética e hormonal, não a região que está sendo mais exercitada naquele treino específico.

Lucas Peralles explica que entender essa limitação evita frustração desnecessária: em vez de buscar um exercício mágico para uma área específica, o caminho mais eficaz continua sendo manter o processo geral, alimentação estruturada e treino consistente, e aceitar que cada região vai responder no seu próprio tempo.

Trocar de estratégia sempre que uma área parece travada costuma atrapalhar mais do que ajudar. O ritmo mais lento de certas regiões não indica que o método está errado, apenas que aquele ponto específico do corpo precisa de mais tempo dentro do mesmo processo já em andamento.

O que fica dessa diferença de ritmo entre regiões?

O corpo não emagrece de forma linear nem uniforme, e isso não é sinal de que algo está errado no processo. É simplesmente como a fisiologia funciona, guiada por genética, hormônios e histórico de acúmulo de gordura em cada região específica.

Lucas Peralles, à frente da Clínica Peralles, em São Paulo, considera que entender essa limitação evita frustração desnecessária: em vez de buscar um exercício mágico para uma área específica, o caminho mais eficaz continua sendo manter o processo geral, alimentação estruturada e treino consistente. 

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