Gestão de resíduos em funerárias: estratégias para assegurar segurança, conformidade e eficiência operacional com Tiago Oliva Schietti

Por Diego Rodríguez Velázquez 8 Min de leitura

A gestão de resíduos em funerárias é um tema que exige atenção técnica, responsabilidade ambiental e atualização constante sobre normas vigentes. Tiago Oliva Schietti reforça que o manejo inadequado de resíduos nesse segmento representa um risco real à saúde pública e ao meio ambiente. 

Neste artigo, você vai entender quais são os principais desafios enfrentados pelas funerárias na gestão de seus resíduos, as normas que regem essa atividade e como a tecnologia tem contribuído para tornar esse processo mais seguro e eficiente. Se você atua no setor, continue a leitura e descubra como adequar sua operação às exigências legais e às boas práticas do mercado.

O que são resíduos de serviços funerários e por que merecem atenção especial?

Os estabelecimentos funerários geram diferentes categorias de resíduos ao longo de suas atividades, e cada uma delas demanda um tratamento específico. Entre os principais tipos estão os resíduos biológicos, oriundos do preparo e conservação de corpos, os resíduos químicos, resultantes do uso de formol e outros produtos utilizados na tanatopraxia, e os resíduos comuns, como embalagens e materiais de limpeza. Essa variedade exige que os profissionais do setor compreendam bem a natureza de cada material descartado antes de definir o destino correto.

Conforme aponta Tiago Oliva Schietti, a falta de classificação correta dos resíduos é uma das falhas mais comuns e perigosas observadas nas funerárias brasileiras. Quando esses materiais são descartados de forma incorreta, os riscos de contaminação se ampliam significativamente, atingindo funcionários, a população local e o ecossistema ao redor. Por isso, compreender a origem e a composição de cada resíduo gerado é o ponto de partida para qualquer programa de gestão eficiente.

Quais normas regulamentam a gestão de resíduos em funerárias no Brasil?

No Brasil, a gestão de resíduos de serviços de saúde, categoria que abrange os resíduos funerários, é regulamentada principalmente pela RDC 222/2018 da Anvisa e pela Resolução Conama 358/2005. Essas normas estabelecem critérios detalhados para a segregação, armazenamento, transporte e destinação final dos resíduos, bem como as responsabilidades dos geradores. O descumprimento dessas regras pode resultar em multas, interdição do estabelecimento e responsabilização civil e criminal dos gestores.

Além da legislação federal, cada estado e município pode ter exigências complementares que precisam ser observadas. De acordo com Tiago Oliva Schietti, muitos empreendedores do setor ainda desconhecem a legislação local aplicável, o que os expõe a riscos desnecessários. Portanto, manter-se atualizado sobre o arcabouço normativo vigente não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia inteligente de proteção do negócio e da reputação da empresa.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Como estruturar um plano de gerenciamento de resíduos sólidos eficiente?

A elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) é obrigatória para as funerárias e deve contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos resíduos gerados. Esse documento orienta os colaboradores sobre procedimentos corretos e serve como referência para auditorias e fiscalizações. Estruturar esse plano de forma clara e funcional é essencial para garantir a conformidade operacional.

Como elucida Tiago Oliva Schietti, um bom PGRSS deve ser desenvolvido de forma participativa, envolvendo toda a equipe e sendo revisado periodicamente. Os principais elementos que devem constar nesse plano incluem:

  • Identificação e classificação de todos os resíduos gerados na unidade;
  • Procedimentos de segregação na fonte geradora;
  • Critérios para acondicionamento, identificação e armazenamento temporário;
  • Rotas internas seguras para transporte dos resíduos;
  • Contratos com empresas licenciadas para coleta e destinação final;
  • Registros e controles documentais para rastreabilidade;
  • Programa de treinamento e capacitação contínua da equipe.

Ter esses elementos bem definidos não apenas garante conformidade com a legislação, mas também organiza os processos internos e reduz riscos operacionais. Uma funerária que adota essa estrutura demonstra maturidade de gestão e compromisso com a segurança de todos os envolvidos.

A tecnologia como aliada na gestão de resíduos funerários

A tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais relevante na modernização dos processos de gestão de resíduos em funerárias. Plataformas digitais de controle de resíduos permitem registrar em tempo real a geração, o armazenamento e o descarte de cada material, facilitando auditorias e garantindo rastreabilidade. Softwares de gestão integrada também ajudam a automatizar a emissão de manifestos de transporte e a manter o histórico documental em conformidade com as exigências legais.

Segundo Tiago Oliva Schietti, a adoção de tecnologia no setor funerário ainda enfrenta resistência cultural, especialmente em empresas de pequeno e médio porte. No entanto, o investimento em ferramentas digitais representa uma economia significativa de tempo e recursos no médio prazo, além de reduzir a margem de erro humano nos processos de controle. Funerárias que já adotaram soluções tecnológicas para a gestão de resíduos relatam maior organização interna, menos notificações de órgãos fiscalizadores e equipes mais bem treinadas e conscientes de suas responsabilidades.

Por que investir em treinamento e cultura de conformidade?

A gestão eficiente de resíduos depende, acima de tudo, das pessoas que compõem a equipe operacional. De nada adianta ter um plano bem estruturado ou uma tecnologia avançada se os colaboradores não estão capacitados para executar os procedimentos corretamente no dia a dia. Investir em treinamentos regulares, com linguagem acessível e exemplos práticos, é indispensável para transformar a conformidade em cultura organizacional.

Conforme comenta Tiago Oliva Schietti, o treinamento não deve se limitar à explicação das normas, mas precisa contextualizar os riscos reais envolvidos em cada etapa do processo. Quando o colaborador compreende o porquê de cada procedimento, ele tende a adotá-lo com mais responsabilidade e consistência. Assim, a conformidade deixa de ser uma obrigação imposta e passa a ser um valor compartilhado por toda a organização.

Conformidade na gestão de resíduos é uma escolha estratégica

A gestão de resíduos em funerárias vai muito além do cumprimento de exigências legais. Ela representa um compromisso ético com a saúde pública, com o meio ambiente e com a valorização dos profissionais que atuam nesse setor sensível. Estruturar processos, investir em tecnologia e capacitar equipes são ações que se complementam e constroem uma operação mais segura, eficiente e sustentável.

O caminho para a conformidade plena exige dedicação contínua, mas os benefícios são concretos: menos riscos, menos passivos legais e uma reputação sólida no mercado. Funerárias que tratam a gestão de resíduos como prioridade estratégica estão, na prática, investindo na longevidade e na credibilidade do próprio negócio.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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