Cesta básica sobe em Manaus: quais alimentos ficaram mais caros e como economizar nas compras

Por Nina Karelina 10 Min de leitura

Pesquisa do Procon Manaus mostra alta de 0,58% em setembro e diferença de mais de R$ 70 entre os menores e maiores preços.

O preço médio da cesta básica voltou a subir em Manaus, mas o dado mais importante para o consumidor não está apenas na alta de 0,58% registrada em setembro. A pesquisa divulgada pela Prefeitura de Manaus mostra que uma mesma cesta de produtos essenciais pode custar mais de R$ 70 de diferença dependendo do estabelecimento escolhido, indicando que comparar preços continua sendo uma das principais formas de reduzir o impacto das compras no orçamento doméstico. O levantamento foi realizado pelo Procon Manaus em nove supermercados da capital no dia 8 de setembro e considerou 20 produtos, entre alimentos embalados e itens vendidos a granel. A cesta passou de R$ 280,58 em agosto para R$ 282,22 em setembro. Para quem acompanha os gastos de alimentação em Manaus, a dúvida agora é entender quais produtos pressionaram o orçamento e onde existe espaço para economizar.

Prefeitura de Manaus/Procon Manaus.

Cesta básica em Manaus ficou mais cara em setembro

A pesquisa do Procon Manaus encontrou uma alta relativamente pequena na média geral, de R$ 1,64, mas os resultados individuais mostram que o comportamento dos alimentos não foi uniforme. Entre os produtos pesquisados, o mamão teve a maior elevação, de 10,88%, enquanto o frango inteiro congelado subiu 7,78% na comparação entre agosto e setembro. O preço médio do quilo do mamão passou de R$ 6,47 para R$ 7,18, enquanto o frango avançou de R$ 9 para R$ 9,70. Para uma família que compra esses produtos com frequência, essas variações podem ser mais perceptíveis no orçamento do que a pequena mudança registrada no valor médio da cesta completa.

Ao mesmo tempo, houve produtos que ficaram mais baratos e ajudaram a impedir uma alta maior do conjunto. A batata portuguesa apresentou queda de 21,37%, passando de R$ 6,97 para R$ 5,48 por quilo, enquanto o flocão de milho recuou 9,94%, de R$ 2,12 para R$ 1,91. Isso mostra por que olhar somente para a média da cesta pode esconder diferenças importantes entre os itens. O consumidor que substitui temporariamente produtos mais caros por alternativas que apresentaram redução pode conseguir manter o gasto sob controle, desde que a troca faça sentido para sua alimentação e não resulte em desperdício.

A pesquisa do Procon também encontrou uma diferença de R$ 70,89 entre o menor e o maior preço da cesta completa. O menor valor registrado foi de R$ 241,70, enquanto o maior chegou a R$ 312,59, uma distância relevante para famílias que fazem compras mensais. Como os valores foram coletados em uma data específica, eles podem mudar posteriormente por causa de promoções, descontos, disponibilidade de produtos e variações de mercado. Por isso, o levantamento deve ser utilizado como referência para planejamento, e não como garantia de que o mesmo preço estará disponível em qualquer supermercado de Manaus.

Quais alimentos pesaram mais no bolso do manauara

O resultado de setembro chama atenção porque as maiores altas ocorreram justamente em produtos que podem ter presença frequente na alimentação das famílias. O frango inteiro congelado, por exemplo, registrou aumento de 7,78%, enquanto o mamão avançou 10,88%. Quando esses aumentos aparecem ao mesmo tempo em uma compra, o consumidor pode perceber uma pressão maior no orçamento, mesmo que outros produtos estejam apresentando queda. A composição das despesas também muda de família para família, portanto uma alta média da cesta não significa que todos os consumidores terão exatamente o mesmo impacto.

O levantamento inclui produtos característicos da alimentação cotidiana na capital amazonense, como arroz, feijão, farinha d’água, flocão de milho, óleo de soja, leite em pó, café, macarrão, margarina, frutas, hortaliças, ovos e frango. A metodologia utilizada pelo Procon Manaus tem como referência o Decreto Federal nº 11.936/2024, que regulamenta a cesta básica no âmbito da Política Nacional de Abastecimento Alimentar, além de seguir padrões do Dieese com adaptações à realidade local. Isso é relevante porque a cesta utilizada para acompanhar preços em Manaus considera hábitos e produtos que fazem parte do consumo regional, permitindo uma leitura mais próxima da realidade do consumidor amazonense.

O levantamento também reforça uma característica importante do mercado de alimentos: preços podem se movimentar em direções diferentes no mesmo período. Enquanto mamão e frango ficaram mais caros, batata e flocão ficaram mais baratos, criando oportunidades para o consumidor reorganizar a lista de compras. Não significa, porém, que uma pessoa precise abandonar alimentos importantes por causa de uma variação mensal, mas sim que a pesquisa de preços pode ajudar a escolher o melhor momento, marca, quantidade ou estabelecimento para determinados produtos.

Para quem compra em Manaus, uma estratégia simples é separar os itens da lista por categorias e comparar principalmente aqueles que tiveram maior peso na despesa familiar. Também vale conferir preços por quilo ou litro, em vez de observar somente o valor da embalagem, porque tamanhos diferentes podem dar a impressão de economia sem necessariamente representar um custo menor. Outra medida importante é evitar comprar quantidades maiores apenas porque estão em promoção, caso exista risco de desperdício ou vencimento.

Como usar a pesquisa do Procon para gastar menos em Manaus

A diferença de R$ 70,89 encontrada entre a cesta mais barata e a mais cara é provavelmente o dado mais útil para o consumidor que quer reduzir despesas. Considerando uma compra de R$ 282,22, valor médio registrado em setembro, uma diferença desse tamanho representa uma parcela significativa do gasto total. Naturalmente, ninguém deve interpretar a pesquisa como indicação de que um único supermercado será sempre o mais barato, porque os preços mudam e cada estabelecimento pode ter promoções diferentes. O principal ensinamento é que comparar antes de fechar a compra pode produzir economia concreta.

O Procon Manaus recomenda justamente que o consumidor pesquise os preços antes de realizar as compras e utilize os dados como referência para organizar o orçamento familiar. A orientação ganha importância em períodos nos quais diferentes alimentos apresentam movimentos opostos, porque a escolha do estabelecimento pode alterar significativamente o valor final. Também é importante observar promoções com atenção, verificando prazo de validade, peso da embalagem, condições para obtenção do desconto e eventual necessidade de cadastro ou pagamento específico.

Outro cuidado é lembrar que o levantamento representa os preços encontrados em 8 de setembro e não constitui recomendação ou aprovação de qualquer estabelecimento. O próprio Procon informa que os valores podem sofrer alterações conforme descontos, promoções e disponibilidade dos produtos. Para o consumidor, portanto, a pesquisa funciona melhor como uma fotografia do mercado naquele momento e como instrumento para orientar a comparação, e não como uma tabela fixa de preços.

O aumento de 0,58% registrado em setembro não significa, sozinho, que todos os alimentos estão em trajetória de alta em Manaus. Os resultados mostram um cenário mais complexo, com alguns produtos subindo e outros recuando no mesmo período. Para o manauara, a informação mais prática é que existe margem para reduzir o custo final da compra por meio de comparação, planejamento e substituições responsáveis. Em um orçamento doméstico apertado, pequenas diferenças repetidas ao longo dos meses podem representar uma economia relevante no fim do ano. A pesquisa do Procon Manaus, nesse sentido, serve menos para indicar onde comprar e mais para mostrar ao consumidor que acompanhar os preços pode fazer diferença.

Fonte: Prefeitura de Manaus, por meio do Procon Manaus; metodologia com referência ao Decreto Federal nº 11.936/2024 e padrões do Dieese.

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