Amazonas registra alta de queimadas e Manaus enfrenta piora na qualidade do ar

Por Redação Tribuna De Manaus 6 Min de leitura

O Amazonas registrou aumento expressivo nos focos de queimadas em 2026, enquanto Manaus e municípios da Região Metropolitana enfrentaram piora nas condições atmosféricas. Os dados foram reunidos em boletim publicado em 11 de outubro pelo Ministério Público de Contas do Amazonas, que apontou níveis de qualidade do ar entre “muito ruim” e “péssima” em pontos monitorados.

Entre 1º de janeiro e 10 de outubro, foram identificados 7.583 focos de queimadas no estado. No mesmo intervalo de 2025, o número registrado era de 3.589 focos. A comparação mostra que o total de 2026 já ultrapassava o dobro do observado no ano anterior, em um cenário de maior pressão sobre a atmosfera e de atenção para a saúde da população.

O agravamento também foi observado nos dados mais recentes. Apenas nos dias 9 e 10 de outubro, o boletim contabilizou 544 focos de calor no Amazonas. Desse total, 494 foram identificados em 10 de outubro, indicando uma concentração elevada de ocorrências em um intervalo de 48 horas.

Partículas finas atingem níveis elevados em Manaus

Na capital amazonense, estações acompanhadas pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, o SELVA, registraram concentrações de PM2,5 entre aproximadamente 78 e 202 microgramas por metro cúbico. Essas partículas são componentes da fumaça e podem permanecer suspensas no ar, especialmente quando as condições meteorológicas dificultam a dispersão.

O boletim ressalta que as medições do SELVA são pontuais, realizadas por sensores de baixo custo e sem finalidade regulatória. Por isso, os resultados não substituem uma rede oficial de monitoramento com instrumentos de referência. Ainda assim, os registros servem como indicativo de que a qualidade do ar estava comprometida em diferentes áreas de Manaus e do entorno metropolitano.

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental acompanha indicadores atmosféricos por meio de estações instaladas em locais distintos. A distribuição dos pontos permite observar variações entre bairros e municípios, mas também exige cautela na interpretação dos dados, já que uma medição isolada não representa necessariamente toda a extensão da capital.

Calor e baixa umidade aumentam preocupação

Além da fumaça, o período analisado foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar. Conforme as informações reunidas no documento, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indicava máxima de 37°C em Manaus, com umidade entre 20% e 30% em parte do intervalo considerado.

A combinação de calor, ar seco e poluentes favorece um cenário de desconforto e maior exposição a partículas suspensas. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares aparecem entre os grupos que exigem maior atenção durante episódios de poluição atmosférica, devido à possibilidade de agravamento de condições preexistentes.

As previsões meteorológicas podem mudar ao longo do dia e devem ser acompanhadas junto com os indicadores de qualidade do ar. O Instituto Nacional de Meteorologia é a fonte utilizada para os dados de previsão citados no boletim, enquanto os registros de focos de calor são acompanhados por sistemas especializados de detecção por satélite.

Monitoramento reúne fontes diferentes

O cenário apresentado pelo Ministério Público de Contas combina informações de instituições com metodologias distintas. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais disponibiliza dados sobre a situação atual das queimadas, enquanto o monitor da Universidade Federal do Amazonas acompanha focos de calor em Manaus e no entorno.

Focos de calor detectados por satélite não correspondem necessariamente ao número exato de incêndios ou de áreas queimadas. A detecção pode variar conforme o tipo de sensor, a resolução espacial, a cobertura de nuvens e o horário de passagem do satélite. Por essa razão, a leitura dos dados deve considerar tendências e séries de observações, e não apenas um registro isolado.

Mesmo com as limitações metodológicas, a elevação acumulada no Amazonas e a concentração de ocorrências em 9 e 10 de outubro formam um sinal de alerta ambiental. Em Manaus, os níveis de PM2,5 registrados pelos sensores reforçam que o problema não se restringe às áreas diretamente atingidas pelo fogo, já que a fumaça pode se deslocar e afetar a região metropolitana.

O boletim de 11 de outubro retrata a situação observada até aquele momento. A evolução do quadro depende da ocorrência de novos focos, das condições de vento, da umidade e da capacidade de dispersão da atmosfera. Por isso, o acompanhamento dos dados do INPE, do SELVA, da UFAM e das previsões do INMET permanece necessário para compreender os efeitos da fumaça sobre Manaus e o Amazonas.

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