Ex-presidente da Assembleia Legislativa ocupa o cargo desde abril e já é pré-candidato à reeleição, enquanto Wilson Lima mira uma vaga no Senado.
O comando do Governo do Amazonas mudou de mãos em 2026 num movimento que reorganizou o tabuleiro político do estado a poucos meses das eleições gerais. Wilson Lima, que governava o Amazonas desde 2019, apresentou carta de renúncia em abril, junto com o então vice-governador Tadeu de Souza, para cumprir o prazo legal de desincompatibilização de seis meses exigido a quem pretende disputar outro cargo eletivo em outubro. Com a saída dos dois, quem assumiu o Executivo estadual foi Roberto Cidade, até então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, seguindo a ordem de sucessão prevista na Constituição.
A movimentação levanta uma dúvida recorrente entre eleitores amazonenses: o que muda, na prática, para quem vive em Manaus e no interior, com essa troca de governo em ano eleitoral? Entender os bastidores dessa sucessão ajuda a explicar tanto o cenário local quanto as disputas que vão se desenhar nas urnas.
Por que Wilson Lima deixou o cargo antes do fim do mandato
A saída de Wilson Lima não foi uma surpresa completa, mas o momento escolhido chamou atenção. Um mês antes de renunciar, o governador havia afirmado publicamente que cumpriria todo o segundo mandato, por um compromisso assumido com a população do Amazonas. A mudança de posição se deu para viabilizar sua candidatura ao Senado Federal, já que a legislação eleitoral exige afastamento do cargo público seis meses antes do pleito para quem deseja concorrer a outra função. Nas cartas publicadas em edição extra do Diário Oficial da Assembleia, tanto Lima quanto Tadeu de Souza classificaram a decisão como irrevogável.
Como presidente estadual da Federação União Progressista no Amazonas, Wilson Lima assumiu a articulação política do grupo para as eleições de outubro, o que inclui costurar apoios para vagas na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa e para os cargos majoritários de governador e senador. Foi justamente nesse papel que ele oficializou, em julho, o apoio à candidatura de Roberto Cidade à reeleição ao Governo do Amazonas, num evento que reuniu lideranças partidárias, parlamentares e prefeitos na Zona Centro-Sul de Manaus.
O que esperar do governo Roberto Cidade até as eleições
Roberto Cidade assumiu o Executivo estadual em maio, após período como governador em exercício, e desde então tem sido apresentado pelo grupo político de Wilson Lima como o nome para dar continuidade às ações da gestão anterior. Ao confirmar sua pré-candidatura à reeleição, Cidade afirmou que buscará um mandato de quatro anos para seguir com os projetos já em andamento no estado, mantendo o vice-governador Serafim Corrêa ao seu lado na chapa. A disputa pelo Governo do Amazonas em outubro deve reunir outros nomes que já apareceram no noticiário político local, como o senador Eduardo Braga, o senador Plínio Valério e o prefeito de Manaus, David Almeida, ainda sem candidaturas formalmente definidas até a publicação desta matéria.
O calendário eleitoral de 2026 prevê primeiro turno no dia 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato ao governo obtenha maioria dos votos válidos. Até lá, o cenário político amazonense deve seguir em movimento, com convenções partidárias e definição de coligações ao longo dos próximos meses.
A sucessão no Governo do Amazonas mostra como o calendário eleitoral já molda as decisões da política estadual meses antes da votação. Enquanto Roberto Cidade tenta consolidar sua gestão à frente do Executivo, Wilson Lima trabalha nos bastidores para garantir força política ao seu grupo tanto na disputa pelo Senado quanto pelo próprio governo estadual. Nos próximos meses, à medida que os partidos definem suas chapas, o cenário eleitoral do Amazonas deve ficar mais claro.
Fontes: CartaCapital e Revista Cenarium