O sul do Amazonas passou a contar com quatro novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na área de influência da BR-319. Os decretos foram assinados em 8 de setembro de 2026, durante uma cerimônia em Brasília realizada em referência ao Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro. Juntas, as unidades abrangem aproximadamente 669 mil hectares em seis municípios amazonenses.
A medida foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Segundo a pasta, as reservas têm como objetivos proteger a biodiversidade e preservar os modos de vida de populações agroextrativistas, permitindo que os moradores utilizem os recursos naturais de forma sustentável.
Quais são as novas reservas do Amazonas
A maior das quatro áreas é a RDS Tupana Igapó-Açu II, com 422.100 hectares, localizada entre os municípios de Beruri e Tapauá. A RDS Tupana Igapó-Açu I possui 114.076 hectares e fica em Borba. As duas unidades formam parte do conjunto de áreas protegidas criado no entorno da BR-319, rodovia que conecta Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia.
Também foram criadas a RDS Canaã, com 109.607 hectares, entre Careiro e Autazes, e a RDS Mirari, com 22.775 hectares, no município de Humaitá. Dessa forma, os municípios diretamente abrangidos pelas novas reservas são Borba, Beruri, Tapauá, Careiro, Autazes e Humaitá.
A categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável busca combinar a conservação ambiental com a permanência das comunidades tradicionais no território. Na prática, a criação dessas unidades reconhece a presença de populações agroextrativistas e estabelece uma referência para o uso sustentável dos recursos naturais, sem afastar o objetivo de proteção da biodiversidade.
Proteção ambiental e uso sustentável
As novas RDS estão inseridas em uma região estratégica do Amazonas, onde a preservação da floresta se relaciona com atividades econômicas tradicionais e com o ordenamento territorial. A delimitação das áreas cria unidades de conservação específicas para proteger ambientes naturais e, ao mesmo tempo, considerar os modos de vida das comunidades que dependem dos recursos locais.
O anúncio também amplia a atenção sobre o sul do estado e a região de influência da BR-319. A rodovia é um dos principais eixos de ligação terrestre entre o Amazonas e outras áreas da Amazônia, e seu entorno está presente em debates sobre conservação, ocupação territorial e desenvolvimento. As reservas passam a integrar esse cenário como instrumentos de proteção e organização do uso da terra.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a criação das unidades não tem apenas uma dimensão ambiental. A proposta também envolve a proteção das populações agroextrativistas, que utilizam recursos naturais para sua subsistência e atividades tradicionais. A categoria de RDS permite que essa relação com o território seja considerada na gestão da unidade, desde que o uso esteja alinhado à conservação.
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Concessão florestal em Humaitá
A mesma cerimônia marcou a assinatura de contratos de concessão florestal para duas unidades de manejo da Floresta Nacional de Humaitá. Os contratos terão duração de 40 anos e abrangem 162,7 mil hectares. A previsão é de R$ 240 milhões em investimentos, além da produção legal de madeira e da geração de empregos diretos e indiretos em Humaitá e no entorno.
A concessão florestal é uma medida distinta da criação das quatro reservas, mas compõe o conjunto de ações anunciadas para o Amazonas. Nesse modelo, o manejo dos recursos florestais ocorre dentro de regras estabelecidas para a exploração sustentável. O objetivo é permitir atividade econômica regularizada, com controle ambiental e previsão de investimentos na região.
O anúncio das reservas e dos contratos de concessão reúne, portanto, duas frentes de gestão territorial: a proteção de áreas destinadas à conservação e ao uso sustentável pelas comunidades e o manejo florestal regulamentado em unidades específicas. Para os municípios envolvidos, as medidas colocam em evidência a necessidade de conciliar conservação da floresta, atividades produtivas e permanência das populações locais.
O que muda para os municípios
Com a criação das RDS, os territórios de Borba, Beruri, Tapauá, Careiro, Autazes e Humaitá passam a contar com novas áreas formalmente destinadas à conservação e ao uso sustentável. A extensão total, de aproximadamente 669 mil hectares, representa uma mudança relevante na organização territorial do sul do Amazonas e cria um novo marco para a proteção da biodiversidade na região.
A efetividade das reservas dependerá da gestão das unidades e da participação das comunidades que vivem nos territórios abrangidos. A proposta apresentada pelo governo federal é proteger os ecossistemas sem desconsiderar as populações agroextrativistas, mantendo o uso sustentável dos recursos naturais como parte da dinâmica local.
As informações sobre os decretos, os limites das áreas e os contratos da Floresta Nacional de Humaitá foram divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em 8 de setembro de 2026.
