Seguro rural: por que proteger a safra vai além do clima

Por Nina Karelina 5 Min de leitura

Uma estiagem prolongada ou uma praga inesperada pode transformar uma safra promissora em prejuízo em questão de semanas, mesmo depois de meses de investimento e trabalho no campo. O empresário Wander Aguilera Almeida considera o seguro rural como uma das ferramentas menos discutidas, mas mais decisivas, na proteção financeira de quem depende diretamente da produção agrícola para sustentar a própria renda.

Diferente do que muitos imaginam, essa proteção não cobre apenas perdas climáticas, mas também problemas sanitários e, em algumas modalidades, oscilações de mercado que afetam a rentabilidade da safra inteira. Veja a seguir como esse instrumento funciona na prática e por que ele importa tanto quanto qualquer decisão comercial tomada ao longo do ano.

O que cobre, na prática, o seguro agrícola?

A legislação brasileira prevê diferentes modalidades de seguro rural, cobrindo desde a lavoura em si até máquinas, benfeitorias e títulos de crédito ligados à produção agrícola de cada propriedade. Wander Aguilera Almeida destaca que o seguro agrícola, voltado especificamente para as lavouras, costuma ser o ponto de partida para produtores que ainda não têm esse tipo de proteção contratada até o momento.

Cada modalidade de seguro rural existe justamente porque os riscos enfrentados por uma lavoura são diferentes daqueles que ameaçam máquinas, benfeitorias ou o próprio crédito usado para financiar a produção ao longo do ano agrícola.

Em caso de perda comprovada por seca, geada, praga ou outro evento coberto pela apólice, o produtor recebe indenização que ajuda a manter a estabilidade financeira da propriedade, mesmo diante de uma safra frustrada logo depois de meses de investimento em insumos e mão de obra qualificada.

Sem esse tipo de cobertura, um único ano de perda severa pode comprometer não apenas a renda da safra em curso, mas também a capacidade do produtor de investir na safra seguinte, criando um ciclo difícil de reverter sem apoio externo.

Por que muitos produtores ainda hesitam em contratar?

O custo do prêmio, somado à percepção de que o seguro só compensa em anos de perda severa, ainda afasta parte considerável dos produtores dessa proteção, mesmo com subsídios do governo reduzindo esse valor consideravelmente. Na avaliação de Wander Aguilera Almeida, essa hesitação custa caro justamente nos anos em que o clima se mostra mais imprevisível do que o esperado pela maioria dos produtores da região.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Produtores que já passaram por um ano de perda severa sem cobertura tendem a mudar essa percepção rapidamente, já que a diferença entre ter e não ter seguro nesses casos pode significar a continuidade ou não da própria atividade agrícola na propriedade.

Como o seguro se conecta com acesso a crédito e exportação?

Instituições financeiras frequentemente exigem seguro agrícola como condição para conceder crédito rural, o que torna essa proteção parte quase obrigatória do planejamento de quem depende de financiamento para plantar a cada nova temporada. Wander Aguilera Almeida salienta que essa exigência também sinaliza ao mercado comprador uma operação mais organizada e menos sujeita a inadimplência por eventos fora do controle do produtor.

Para quem exporta, ter a produção protegida reduz o risco de não conseguir cumprir contratos firmados com compradores internacionais em caso de perda parcial da safra, preservando a reputação construída ao longo de anos de negociação com esses mesmos parceiros comerciais. Bancos e cooperativas de crédito geralmente oferecem condições mais favoráveis a produtores segurados, já que o risco da operação de financiamento diminui consideravelmente quando existe essa camada extra de proteção contra eventos climáticos.

Que papel o intermediador pode ter nessa decisão?

Orientar o produtor sobre a relação entre volume exportado, risco climático da região e necessidade de proteção via seguro rural é uma contribuição que vai além da simples negociação de preço fechado no contrato, explica Wander Aguilera Almeida. Muitos produtores só passam a considerar essa proteção depois de ouvir a recomendação de alguém em quem confiam, e o intermediador, que já acompanha de perto a operação, está em posição privilegiada para fazer essa orientação no momento certo.

Recomendar o momento certo de contratar o seguro, geralmente antes do plantio e não depois que o risco já se materializou, ajuda o produtor a aproveitar melhor as condições oferecidas pelas seguradoras e pelo programa de subvenção do governo federal ao longo do ano.

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